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Remígio Domenech
Outros nomes: Remígio Domeneck
Remígio Domenech (Alcoi, Espanha, c. 1868 – Salvador, Bahia, 21 mar. 1924) foi compositor, maestro, organista e professor de música espanhol radicado no Brasil, com atuação destacada na Bahia entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX.
Iniciou sua formação musical em Alcoi, sob orientação de José Jordá, organista da Igreja de Santa Maria. Posteriormente estudou piano, harmonia e composição no Real Conservatório de Madrid. Ainda na Espanha, atuou como organista e subdiretor da orquestra do Hospício de Madrid, além de exercer atividades vinculadas ao teatro musical e à direção de companhias artísticas.
Após percorrer diferentes circuitos musicais europeus, chegou ao Brasil em 1892, estabelecendo-se inicialmente no Rio de Janeiro. Na capital federal, colaborou com produções teatrais e lecionou no Asilo de Meninos Desvalidos. Em 1894 transferiu-se para a Bahia, acompanhando uma companhia de zarzuelas que se apresentou no Polytheama Bahiano, em Salvador.
Em decorrência de problemas de saúde, afastou-se temporariamente da capital baiana e permaneceu por cerca de três anos no interior do estado, especialmente em Cachoeira e São Félix. Em São Félix, por contrato com a intendência municipal, fundou e dirigiu uma escola de canto coral e instrumental, contribuindo para a formação musical local e para a circulação de práticas de ensino vocal e instrumental no Recôncavo Baiano.
Em 1897 retornou a Salvador após ser nomeado diretor e professor do Conservatório de Música da Bahia, instituição então vinculada à Escola de Belas Artes. Também lecionou no Lyceu de Artes e Officios e atuou como professor de música do Instituto Normal da Bahia, ampliando sua presença na formação musical e educacional da capital.
Além da docência, Domenech participou da vida artística baiana como pianista, maestro, compositor e colaborador de companhias teatrais. Sua produção musical compreende obras sacras, peças para piano, canções, operetas, zarzuelas, hinos institucionais e composições ligadas ao ensino musical.
Entre suas obras conhecidas destacam-se Uma Lágrima sobre o Túmulo de Carlos Gomes, Hino ao Senhor do Bonfim, Como é Gentil, Estrella D’Alva, Hino do Caixeiro Brasileiro, Hino Escolar e Hymno das Vocações Sacerdotaes. Também são atribuídas a ele obras teatrais e de salão, como Os Fantoches da Euterpe e Aventuras de Zadig.
Em 1923 compôs a música do Hino ao Senhor do Bonfim, sobre poema de Pethion de Villar, pseudônimo de Egas Moniz Barreto de Aragão. A composição permanece vinculada às celebrações religiosas do Senhor do Bonfim, em Salvador.
Parte de sua produção musical encontra-se preservada em acervos históricos e vem sendo objeto de ações de localização, digitalização, descrição e transcrição musical. Entre as obras documentadas recentemente destaca-se Uma Lágrima sobre o Túmulo de Carlos Gomes, dedicada ao compositor brasileiro Antônio Carlos Gomes.
Apesar da relevância de sua atuação artística, pedagógica e institucional, Remígio Domenech permaneceu pouco presente nas narrativas mais difundidas da história da música brasileira ao longo do século XX. Sua trajetória vem sendo retomada por pesquisas dedicadas à música na Bahia, à documentação de acervos históricos e à preservação do patrimônio musical brasileiro.
Identificadores externos
- WikidataQ140240350
Obras relacionadas
- Hymno Escolar PAMBA-W-000002 — Compositor